domingo, 18 de março de 2012

Numa tarde de domingo


Fazendo nada ou não, estou sempre com os pensamentos a mil, então resolvi posta-los, porque fazer qualquer coisa me parece inútil hoje. 
Sei que ainda não anoiteceu, mas convenhamos que o céu é lindo a qualquer hora, então estou aqui fora olhando para a imensidão azul, criando formas para as nuvens e sentindo o sol.
Acabei me lembrando de fins de semana de muitas primaveras atrás... Como era bom aqueles tempos onde não existia tempo ruim, sol ou chuva e até mesmo os dois juntos era cheio de diversão. 
Quando acabava a energia me lembro de cantarmos no escuro, meu tio tocava violão e é claro não faltava nunca aquela canção, o astronauta de mármore, que até hoje ouço, parece que basta fechar os olhos e me sinto como estivesse voltando no passado. Eram muitos os motivos de riso, sustos e brincadeiras que eu nem me lembrava mais... Ain como é boa essa sensação. Acredito que você tenha tido momentos assim, que te faz ter uma saudade monstro de uma época da sua vida. 
Aqueles banhos de chuva eram memoráveis, os tombos, as broncas, os risos... 
E as guerras? Nunca me esquecerei do meu cabelo quase pegando fogo... nem da cortina, nem do tapete, e dos vidros quebrados, das portas, nossa pensando bem, como a gente era arteiro, e felizes também, não tinha um não que nos segurava, aprontávamos e fugíamos, as broncas valiam a pena, e não eram poucas.
Me lembro de me esconder dentro do porta malas do carro do meu avô com meu irmão, ele sempre embarcava nas minhas idéias loucas e sempre era o culpado, tadinho, mas que bronca a daquele dia, imagine que ele saiu de carro e a gente la caindo de um lado para o outro, se a policia para o carro meu vô estaria encrencado. (risos) Sem contar que a gente colocava a mão no ombro da mari e do tito, por um buraquinho que tinha na parte de cima da tampa que cobria o porta malas da parati, e um culpava o outro por isso. 
-Tito: para mari
-mari: foi você, para. 
Rimos muito.
Nossa eu amava subir em árvores, pular janelas, tudo era porta para mim, apesar que hoje em dia a janela do meu quarto também é porta de vez em quando, lembrei agora que eu e o dei subíamos na parede do corredor da casa da minha vó e se sentava no murinho e a gente, inocente, imaginava que ninguém via a gente lá em cima, era o esconderijo, e para ajudar ainda, a vó passava por debaixo da gente e dizia:
- Cadê aqueles dois? Devem estar aprontando por aí, porque estão quietos demais.
E como a gente ria.
Tem algo que eu queria ter guardado na memória, foi a vez em que joguei a televisão em cima do dei, ele tinha quase um ano e eu quase dois, ele engatinhava e eu andava, entrei atrás da estante e empurrei a TV que caiu a poucos centímetros dele, tadinho, meu vô sempre conta isso pra gente, e o dei me condena até hoje por isso.
Houve épocas em que pensávamos que eramos ninjas. Agente se  jogava pela janela, pulava muro, subia no telhado, e meu vô gritava, vão quebrar minhas telhas da garagem, se escondia e ficava andando atrás das pessoas a fim de descobrir o que faziam, se escondíamos de baixo dos balcões da lanchonete da vó só para ver e ouvir o que as pessoas faziam quando não tinha ninguém por perto. Isso quando a gente não se escondia e assustava as pessoas que passavam na rua.
Supermercados? Pra gente não passava de pistas de corrida com obstáculos. Escadas e esteiras rolantes? A gente subia e descia pelo corrimão, como era engraçado e divertido. Não mediamos as atitudes eramos quem eramos, dizíamos o que deveria ser dito, não havia segredos nem palavras que deveriam ser escondidas, era tudo real, era verdadeiro.
Gincanas, competições, desafios... nunca foram recusados, um a um cumprido, sem se quer pensar se era cabível, se haveria vencedor, se ia machucar, se seria fácil ou difícil, por isso tentávamos e se não conseguíssemos, tentávamos de novo e de novo e de novo. 
Sempre apoiamos um ao outro, a menos é claro, se nos deixasse de lado em alguma peripécia, aí então tinha duas saídas, ou aprontava uma pra cima do sujeito ou acabava delatando tudo, mas era mais legal aprontar, era riso garantido.
Ja me deixaram presa do outro lado do muro da casa do meu tio, puxaram a escada e saíram e me deixaram pra trás, o detalhe é que era tudo mato, onde a gente fazia trilha... Ja colocaram um balde de água em cima da porta e me chamaram, só que ao invés de eu empurrar eu fechei a porta e quem saiu na pior foram eles.
Já aprontamos tanto. Esvaziamos muitos pneus de carro pela rua, saímos andando sem rumo, inventamos receitas malucas, e que quando não davam certo, adivinhem só, serviam para brincar de torta na cara. 
É meu irmão, a gente soube aproveitar muitas coisas ao lado um do outro e de grandes amigos que fizemos. Hoje ainda somos ligados sim, mas não como eramos antigamente, parceiros do crime, como você diria, (risos) hoje é tudo muito diferente, inclusive nossa maneira de pensar e agir com as situações. Mas apesar dos pesares você foi meu primeiro amigo, e continua sendo um dos melhores ate hoje. Te amo tanto maninho.
Quanto aos coadjuvantes dessas nossas histórias, também tem um lugarzinho especial no meu coração, passaram grande parte da minha vida ao meu lado, as melhores. Como é bom saber que pude passar por tudo isso, e ao lado de vocês.
Sabe, acho que se fosse para contar tudo o que ja passamos juntos seria necessário escrever um livro, e que livro, foram tantos os momentos e nenhum merecia ficar de fora.
Tem vezes que me vejo nessa época e imagino tudo como um seriado de TV, assim como hoje, estou parecendo uma boba tentando explicar como pode alguém rir e chorar ao mesmo tempo.
    


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